História

A história desta acolhedora Freguesia remonta ao século XV. Todavia a data mais marcante para Santa Cruz foi sem dúvida o dia 11 de Abril de 1522, data em que D. João III, por carta régia, elevava a Lagoa a Concelho e Santa Cruz a sede do mesmo.

 

Nos seus domínios, que se estendem por 14.26 Km2, a Freguesia de Santa Cruz, uma das cinco Freguesias do Concelho da Lagoa, situa-se na costa Sul da Ilha de São Miguel. Também faz parte desta freguesia o acolhedor lugar dos Remédios.

 

Afirma-se como sede do Concelho e da Cidade, uma vez que junto com a freguesia de Nossa Senhora do Rosário, desde 11 de Abril de 2012, constituem a mais recente cidade da ilha de São Miguel.

 

A Oeste confronta-se com a Freguesia do Rosário, a Noroeste pela Freguesia do Cabouco e a Este pela Freguesia de Água de Pau.

 

É dado saber, como refere Carreiro da Costa na sua obra Memorial da Vila da Lagoa e seu Concelho que a origem toponímica de Lagoa remonta ao início do povoamento da ilha de S. Miguel, uma vez que, nas imediações onde está edificada a Igreja Matriz, os primeiros povoadores descobriram uma lagoa que veio assim dar o nome a este Concelho.

 

Não é por acaso que a Heráldica de Santa Cruz é um ponto de concentração da sua história: a origem do seu nome, Santa Cruz, devido à Igreja Paroquial, a lagoa que existia junto deste templo, atualmente já desaparecida e o cordão de S. Francisco de Assis, com os seus vários nós.

 

Por ser a Freguesia berço da Lagoa, Santa Cruz é dotada de um valioso património arquitetónico, rico em exemplares que abrangem os séculos XVII, XVIII e XIX, admiráveis nas suas igrejas, ermidas, fontanário e fachadas de algumas moradias.

 

Assim sendo, é de destacar a Igreja Matriz, dedicada a Santa Cruz, construída no século XVI, tendo sido a sua frontaria e torre levantadas no ano de 1844. É de realçar ainda que no seu interior predomina o estilo Manuelino, visível nas abóbadas da capela-mor e da capela do Santíssimo.

 

O Convento dos Franciscanos, edificado no século XVIII é considerado um “ex libris” desta Cidade, por ser um dos edifícios religiosos mais ricos, dado à sua fachada barroca profusamente decorada. No seu interior é de salientar o trabalho da talha do altar – mor e a bonita imagem de Nossa Senhora da Conceição.

 

Outro monumento de grande relevo em Santa Cruz é a Ermida de Nossa Senhora do Cabo, cuja fachada é toda coberta de azulejos do período seiscentista.

 

De referir também, a Ermida de Nossa Senhora dos Remédios, quinhentista, admirável pelo seu frontal de altar, todo coberto de azulejos hispano-árabes e pela curiosa imagem de roca da sua padroeira.

 

No que diz respeito ao património de carácter civil, é de destacar o edifício dos Paços do Concelho que data do século XVIII e que é um bonito exemplar da arquitetura Barroca açoriana, com o seu portal de colunas salmónicas e escadaria exterior, demonstrando assim o perfil austero da arquitetura civil daquela época. O museu municipal por seu lado, conserva viva a memória de todos os lagoenses. Está dividido em vários núcleos, dois nesta Freguesia e outro na de Nossa Senhora do Rosário. Em Santa Cruz, pode ser vista a tenda do ferreiro ferrador e a Casa das Memórias, no Convento dos Franciscanos.

 

Salienta-se que também no Convento dos Franciscanos encontra-se instalada a Biblioteca Municipal Tomás Borba Vieira.

 

Como o próprio nome indica, preserva no seu seio os instrumentos que eram usados pelo ferreiro e as técnicas por ele utilizadas no seu trabalho quotidiano.

 

O património cultural da Freguesia é ainda marcado pela arquitetura civil, datada dos séculos XVII e XVIII, com janelas de avental, pilastras laterais, cornijas em bisel e óculos de variados desenhos, cujo conjunto é de um interesse particular e único. A maior parte destas casas encontram-se bem conservadas, pintadas de branco, contrastando com o basalto negro, nelas existente.

 

O património natural não fica, no entanto, atrás do edificado. Pelo contrário. Toda a Freguesia é de uma extraordinária beleza. Paisagens que encantam espalham-se por toda a parte. Um dos seus pontos mais interessantes é a Chã da Macela, que abriga um pequeno parque florestal com uma extensa área. Ali crescem diversas espécies vegetais, umas endémicas (louro, queiró, urze, cedro do mato, uva da serra) e outras trazidas de fora da ilha, como as araucárias, as criptomérias, os cedros, as acácias e os pinheiros. Tem também parque de merendas.

 

Outro ponto de extraordinário interesse é o miradouro da Lagoa do Fogo. A estrada que lhe dá acesso permite a apreciação de toda a costa sul e norte da ilha de S. Miguel.